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Pencil Games_ Nosso lab de Jogos Sérios

Por Arthur Sturzbecher

Os jogos são comumente tratados como entretenimento e nada mais. Mas e quando eles se tornam ferramentas para rastrear declínio cognitivo, melhorar hábitos, ensinar empatia a crianças ou treinar lideranças cívicas?

A imagem posiciona a Pencil Games como o núcleo que conecta três frentes de impacto. O ciano representa o laboratório de P&D, estruturado por método e tecnologia; o magenta, a CiviTech e a participação em rede; o violeta, a EduTech e a progressão da aprendizagem; e o verde, a HealthTech e o cuidado baseado em dados. As superfícies sólidas reforçam que jogos sérios são ferramentas concretas de intervenção, não apenas entretenimento.
A imagem posiciona a Pencil Games como o núcleo que conecta três frentes de impacto. O ciano representa o laboratório de P&D, estruturado por método e tecnologia; o magenta, a CiviTech e a participação em rede; o violeta, a EduTech e a progressão da aprendizagem; e o verde, a HealthTech e o cuidado baseado em dados. As superfícies sólidas reforçam que jogos sérios são ferramentas concretas de intervenção, não apenas entretenimento.

A Pencil Labs dá um novo passo em sua trajetória e apresenta oficialmente a Pencil Games, um laboratório de Pesquisa & Desenvolvimento dedicado à criação e ao aprimoramento de técnicas e abordagens de jogos sérios. A iniciativa nasce com foco em três verticais de impacto:

  • 🏛️ CiviTech: participação cidadã, governança e tomada de decisão baseada em evidência.
  • 📚 EduTech: competências socioemocionais, aprendizagem curricular e mudança de comportamento.
  • 💊 HealthTech: rastreio cognitivo, saúde pública, prevenção e reabilitação gamificada.

Mas por que jogos?

Há alguns meses, pesquisando sobre práticas de monetização predatória (para este outro artigo), me deparei com um estudo de campo de 10 anos com ursos pardos americanos que me deixou intrigado: filhotes que brincam mais sobrevivem melhor. A pesquisa demonstrou que a brincadeira, que aparentemente tem custos evolutivos sem benefícios imediatos, está diretamente ligada ao aumento da sobrevivência, possivelmente aliviando estresse e construindo resistência a estresses futuros.

Brincar não é um luxo; é uma necessidade evolutiva. Mas em algum momento, reduzimos os jogos a telas, compras e aperto de botão, em uma indústria saturada na repetição de fórmulas e gatilhos, enquanto projetos indie buscam uma retomada dos jogos digitais como forma de expressar criatividade, diversão e brincadeira, reconectando-os ao seu verdadeiro propósito inovador e de resiliência.

O Brasil é o maior mercado de games da América Latina, com mais de 100 milhões de jogadores. No entanto, quando instituições tentam usar esse poder para saúde, educação ou cidadania, a maioria das iniciativas de gamificação falha, resultando em experiências chatas, horizontais e genéricas, apenas pontos, rankings e missões mecânicas aplicadas sem a devida atenção à complexidade dos problemas.

O problema da gamificação horizontal

A gamificação horizontal acontece quando inserimos elementos e mecânica de jogos em áreas fora do mundo do entretenimento sem o devido cuidado com o aprofundamento das relações entre as mecânicas e técnicas à área de iteresse.

Por exemplo, este artigo, publicado na SB Games, exemplifica o uso de um quebra-cabeças para incorporar mecânicas de jogos ao ensino dos estados do Brasil: a mecânica do jogo está diretamente relacionada ao objeto de ensino, onde os limites territoriais, as fronteiras e a localização de cada estado se confundem com o próprio estímulo do jogo de encontrar as peças contíguas e concluir o quebra-cabeças. Consequentemente, a utilização de um dominó ou um jogo de cartas seria muito menos aderente e horizontal para esta iniciativa.

A falta profundidade no uso das mecânicas de jogos na construção de jogos sérios é o que chamamos de gamificação horizontal.

Os jogos educativos e ferramentas gamificadas tradicionais costumam ser adaptações de estruturas de entretenimento para receber conteúdo pedagógico de forma forçada. O resultado são ferramentas onde a diversão e a estrutura do objeto de conhecimento não conversam e possuem pouco ou nenhum diferencial prático.

Do Discovery à Produção Épica

Com esse desafio em mente, a Pencil Games busca construir as ferramentas e metodologias para atuar desde a concepção dos jogos até sua implementação, sempre aprofundando as mecânicas e estratégias de jogos de modo a fundi-las com o conteúdo pedagógico ou técnico que se deseja ludificar. Para garantir que essa fusão aconteça com rigor metodológico e viabilidade comercial, estruturamos nossos projetos em duas fases distintas:

  1. Pesquisa & Prototipagem Metodológica (Discovery) Aqui, não começamos pelo código. Começamos reunindo especialistas do segmento (médicos, neurocientistas, educadores e pesquisadores) para levantar o estado da arte e definir quais estruturas de jogo dialogam organicamente com a estrutura do conhecimento que queremos transmitir. Utilizamos frameworks consolidados, como os Core Drives do Octalysis, não como uma camada superficial de pontos e medalhas, mas alinhados a teorias de aprendizagem para criar protótipos validados. O resultado desta fase é um escopo técnico robusto, que evolui de um conceito no papel para uma validação em ambiente relevante.
  2. Produção Épica Com a metodologia validada, avançamos para a produção. Como demonstrado em pesquisas acadêmicas da área (como o estudo de Demenciano Costa), a efetividade pedagógica de um jogo depende diretamente da diversão e da similaridade estrutural com o objeto de conhecimento. Por isso, nossa equipe técnica aplica toda a sua expertise para criar uma experiência de alto padrão visual e técnico. O conhecimento a ser transmitido deve estar a favor da diversão, criando um ciclo virtuoso: o aprendizado promove o engajamento, e o engajamento promove um aprendizado mais significativo.

O que já construímos

Em pouco mais de 18 meses de existência, já lançamos quatro projetos — como o Colmeia / Bullying Map (educação/combate ao bullying), o Caça Mosquitos VR (saúde pública) e o Lady Health (saúde e bem estar) — e estamos trabalhando na construção de mais dois.

Mais importante do que o volume de entregas, porém, são as conexões e os relacionamentos profundos que construímos com diferentes instituições. É essa rede que dá suporte e credibilidade científica à nossa frente de pesquisa:

  • LabLivre / UnB: Interlocução direta com a academia e suporte para submissão de projetos próprios, conectando a engenharia da Pencil com a pesquisa científica.
  • UniSER (Universidade do Envelhecer): Parceria que nos garante acesso à validação para pesquisas em saúde cognitiva, envelhecimento e bem-estar.
  • Lobos Academy: Empresa especializada no desenvolvimento de metodologias ativas de aprendizagem e de combate à intimidação sistemática (bullying).
  • Instituto Cidade Democrática: parceiro da Pencil Labs há uma década que compartilha da nossa visão de cidadania e democracia participativa potencializada por ferramentas digitais e que, agora, nos apoia no lançamento de jogos.

Nesses e nos próximos projetos, o trabalho conjunto com pesquisadores, médicos e educadores é o que garante que nossas ferramentas sejam, de fato, intervenções validadas e com resultados mensuráveis.

O laboratório está aberto

Apresentamos o caminho completo da ideia ao fomento, do projeto ao jogo, com metodologia séria, validação técnica e produção épica.

Se você trabalha em uma instituição de saúde, educação ou governança e acredita que jogos podem ser ferramentas de intervenção real, o laboratório está aberto para novas parcerias.

Conheça nosso portfólio e entre em contato!

saúde, educação, cidadania

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    Instituto Cidade Democrática UniSER